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ESTUDO BÍBLICO

A mordomia da Igreja Local

crente deve ser membro de uma igreja local, já que não existem “lobos solitários” na obra de Deus! Do pastor ao membro, todos serão ensinados através deste estudo. Quais as nossas responsabilidades enquanto mordomos da igreja? Passemos a refletir sobre isso.

01/08/2019 17h37
Por: Editoria - Jornal O Cristão
Fonte: Gospel Prime
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A mordomia dos bens espirituais

1. A mordomia e a valorização da Palavra de Deus

No Salmo 119, que é um hino à Palavra de Deus, o salmista dizia: “A explicação das tuas palavras ilumina e dá discernimento aos inexperientes” (Sl 119.130, NVI). Felipe, diácono e evangelista na igreja primitiva, foi um bom mordomo desta Palavra, administrando-a de tal modo a produzir luz e discernimento na mente e no coração do eunuco que ele evangelizara no deserto. Aquele “ministro da fazenda” de Candace lia o rolo do profeta Isaías, mas não compreendia; Felipe, então, na unção do Espírito, passou a lhe explicar que aquelas profecias (Is 53) apontavam para Jesus, que é o Cristo, isto é, o Messias. No mesmo dia o eunuco se converteu, foi batizado nas águas e retornou à sua casa com o coração tomado de alegria (At 8.26-39).

Pastores, pregadores, professores de Escola Dominical, teólogos e escritores precisam hoje igualmente administrarem com sabedoria, temor e unção a Palavra de Deus para dar aos demais servos do Senhor “sua porção de alimento no tempo devido” (Lc 12.42, NVI). Não podemos ser negligentes no estudo, antes devemos nos dedicar à leitura (1Tm 4.13), nem podemos ser relaxados na doutrina, antes ministra-la sem deturpações e corrupções (Tt 2.7). A fidelidade a Bíblia sagrada e uma correta interpretação das Escrituras devem predominar nossa pregação, ensino e produção escrita; nas palavras do apóstolo Pedro, “se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus” (1Pe 4.11).

Na igreja local a exposição da Palavra precisa ter lugar central no culto, para que os pecadores sejam evangelizados e os crentes sejam instruídos e fortalecidos na fé. Não se pode tolerar nem a escassez de tempo a que a pregação é relegada em muitas igrejas, nem também a falta de conteúdo bíblico, doutrinário e teológico em muitos pregadores que são verdadeiros “enchedores de linguiça”! Na verdade, há pregadores que recebem tempo suficiente, até de sobra, para pregar, mas desperdiçam-no com histórias, falsos testemunhos, manipulação barata das emoções de seus ouvintes, além de falsos discursos proféticos e visões que procedem de suas mentes, não do sublime trono de Deus!

Este grave defeito se pode perceber também em muitas aulas de Escola Dominical, com professores que não se aplicam ao estudo das Escrituras e da Lição dominical e se põem diante de suas classes para ocuparem todo o tempo da aula com exposições vagas, superficiais e monótonas – o que gera desinteresse da membresia da igreja em participar da EBD local. As palavras de Paulo devem ecoar nos ouvidos de muitos hoje: “Prega a Palavra!” (2Tm 4.2).

O pastor Antônio Gilberto, queixando-se de um quadro preocupante na igreja brasileira, dizia: “Há atualmente um esvaziamento da Palavra de Deus no púlpito de inúmeras igrejas. O tempo que deveria ser da Palavra do Senhor é ocupado por músicas e cantos profissionais – não o genuíno louvor – e atividades sociais, restando alguns minutos para a pregação da Palavra de Deus. Daí o elevado número de ‘retardados espirituais’ nessas igrejas” [1].

Diante deste quadro caótico, os bons mordomos da Palavra de Deus precisam se erguer, encontrarem o livro da Lei do Senhor que se perdeu dentro do templo (como nos dias de Josias – 2Re 22), e voltarem a lê-lo e explaná-lo para o povo com muita reverência (como nos dias de Esdras e Neemias – Ne 8).

2. A mordomia na evangelização e discipulado

Um renomado evangelista e professor pentecostal do século passado, Donald Gee, alertava sobre a necessidade de um discipulado sério acompanhando a missão evangelizadora da igreja: “o evangelismo descuidado evangeliza e abandona, não ensina: não apresenta nenhuma preocupação pelo crescimento espiritual das almas que trouxe ao novo nascimento. Exatamente neste ponto está uma fraqueza fundamental de muitos avivamentos modernos: eles não acompanham suficiente os que creem” [2]. Igrejas que evangelizam crescem; igrejas que evangelizam e discipulam crescem com saúde!

Todos os crentes estão incumbidos da tarefa de evangelizar os pecadores e leva-los a Jesus Cristo. E a igreja local, organizada e provida de vários recursos, deve promover o discipulado contínuo para todos os membros (isto é, o ensino regular e persistente das Escrituras para formação do caráter cristão), mas especialmente o discipulado inicial para os novos convertidos, a fim de dar-lhes o “leite racional” da Palavra de Deus (1Pe 2.2), como a bebês na fé, meninos recém-nascidos (Jo 3.3), que precisam tomar os primeiros nutrientes da salvação e irem aos poucos se desenvolvendo.

O apóstolo Pedro ressalta que o leite espiritual servido aos crentes não pode ser falsificado, para que não prejudique a saúde da alma do rebanho do Senhor. Por isso, faz-se necessário que aqueles que assumem a responsabilidade de ensinar os rudimentos da fé aos novos convertidos sejam bons despenseiros de Deus, ensinando antes de tudo pelo bom exemplo: “Em tudo te dá por exemplo de boas obras” (Tt 2.7), “sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza” (1Tm 4.12). Maus discipuladores geram maus discípulos! Discipuladores fiéis geram discípulos fiéis! Pastores, a quem está entregue a missão de discipular novos convertidos em sua igreja?

3. A mordomia no uso dos dons espirituais

Dons espirituais ou carismas são dotações espirituais e sobrenaturais que a Igreja recebeu de Deus para adoração e serviço. Em Marcos 16.17-18, Romanos 12.6-8 e em 1Coríntios 12.8-10 podem ser encontrados exemplos dos muitos dons espirituais disponibilizados aos servos e servas do Senhor.

Cremos piamente na contemporaneidade de todos os dons espirituais desde os dias dos apóstolos e continuarão em operação na Igreja até que venha “o que é perfeito” (1Co 13.10) e até que vejamos a Cristo “face a face” e o conheçamos perfeitamente como perfeitamente somos conhecidos por ele (1Co 13.12). Somente aí profecias desaparecerão e o dom de línguas cessará (1Co 13.8). Até que Cristo seja manifesto a nós, “nenhum dom vos falta” (1Co 1.7).

Todavia, não podemos nem ter obsessão compulsiva por dons espirituais a ponto de negligenciarmos o fruto do Espírito (isso nos transformaria em carismaníacos, como bem disse o pastor assembleiano norte-americano George Wood). Perceba que Paulo lista nove dons em 1Co 12.8-10 e também lista nove aspectos do fruto do Espírito em Gl 5.22,23. Isso deve chamar-nos a atenção para a necessidade do equilíbrio que precisa haver entre carismas e caráter, dons e fruto, unção e santificação!

Os dons espirituais não podem ser usados para promoção pessoal, criação de novas doutrinas ou para comercialização de bençãos divinas. Veja o que os autoproclamados “profetas das revelações profundas” no Facebook estão fazendo, negociando profecias sob o pretexto de estarem promovendo “campanhas”. A perdição desses muambeiros da religião, que usam palavras fingidas para enganar, já está determinada (2Pe 2.3). Somente pessoas incautas e leigas na Palavra caem na lábia destes profeteiros de plantão!

Quanto ao exercício dos dons espirituais na igreja, tudo deve seguir estes princípios:

  1. Deve haver utilidade, isto é, um fim proveitoso para a igreja no uso dos dons (1Co 12.7);
  2. A operação dos dons deve ser julgada pela igreja local, para averiguar a sua procedência espiritual (1Co 14.29; 1Ts 5.20,21; 1Jo 4.1);
  3. Pessoas não devem ser forçadas a manifestar os dons, pois é o Espírito que “realiza todas essas coisas, distribuindo a cada um, individualmente, conforme ele quer” (1Co 12.11);
  4. Edificação, exortação e consolo da igreja devem sem os objetivos no coração do crente que usa os dons espirituais (1Co 14.3);
  5. Tudo deve ser feito com decência e ordem (1Co 14.40).

E aos mordomos dos dons espirituais nunca pode faltar a principal de todas as virtudes: o amor. O amor, nas palavras de Paulo, é o “caminho ainda mais excelente” para o correto exercício dos dons espirituais (1Co 12.31 – 13.13). Sem amor, todos os dons espirituais são inúteis! Não adianta falar línguas estranhas e não falar a linguagem do amor, do perdão e da misericórdia!

 

 

 

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