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FATALIDADE: Bombeiro morre soterrado tentando salvar mãe e bebê em Guarujá

Dos 16 mortos na Baixada Santista por causa da chuva, 14 foram no Guarujá.

As chuvas fortes que atingem a região da Baixada Santista desde a tarde de segunda-feira (2), já provocaram ao menos 16 mortes nas cidades de Guarujá, Santos e São Vicente. Trinta e três pessoas estão desaparecidas. O número foi atualizado em boletim conjunto divulgado no final da tarde desta terça pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil.

Em entrevista à Rádio Eldorado, o coronel Endel Ricardo Pereira, diretor de operações da Defesa Civil estadual, confirmou que entre as vítimas estão dois agentes do Corpo de Bombeiros. Eles participavam de uma operação de resgate no Morro do Macaco Molhado, no Guarujá, e foram atingidos por um novo deslizamento, que deixou um deles morto, enquanto o outro continua soterrado.

O bombeiro que morreu, cabo Moraes, foi atender o chamado do primeiro desabamento, ainda na noite de segunda. Durante o resgate, a equipe foi surpreendida por outro desabamento. Cabo Batalha, que também atendeu ao primeiro chamado, ainda é procurado. Eles tentavam encontrar uma mãe com o bebê, os dois também foram encontrados mortos.

O principal local com registro de mortes até o momento é o Guarujá, com 14 casos. A cidade também tem o maior número de desaparecidos. Um dos locais mais atingidos é o morro do Macaco Molhado e no Jardim Centenário. A prefeitura da cidade decretou estado de emergência. Pelo menos duzentas pessoas estão desabrigadas no município. Na manhã desta terça (3), o prefeito Valter Suman (PSB) sobrevoou as áreas mais atingidas junto com o coordenador da Defesa Civil do Estado, coronel Walter Niakas Júnior.

O ajudante de pedreiro Luciano Martins de Oliveira, conhecido como Aranha, de 59 anos, estava dormindo em casa no momento do deslizamento, por volta da 1h30, no Morro do Macaco Molhado. Ele chegou a ficar soterrado até o umbigo e foi resgatado por vizinhos e bombeiros. “Achei que iria perder metade do corpo. Me ajudaram a sair pela janela.”

No início da tarde, mesmo com a chuva, ele estava nas proximidades da casa, preocupado em conseguir os documentos, mas a habitação de madeira, em que vivia há 6 anos, desmoronou. “Não tenho lugar para ir. Perdi tudo, estou só com a roupa do corpo mesmo.” Luciano não quer mais ficar no Morro do Macaco Molhado. “Dá medo, essa chuva não para”, diz. “Mas o importante é estar vivo”, acrescenta.

“Veio aquela água, aquela lama correndo um monte, parecia aquilo que teve em Minas. Como era o nome mesmo daquele lugar?”, disse, referindo-se a Brumadinho, onde o rompimento de uma barragem deixou ao menos 270 mortos. Como ainda chove na região, o Corpo de Bombeiros pediu para moradores e jornalistas se afastarem do local de um dos desmoronamentos. Nas ruas da parte mais baixa, a população usa enxadas, carrinhos de mão e outros equipamentos para retirar a lama avermelhada.

Os moradores estão tentando ajudar os bombeiros na retirada de escombros e localização de desaparecidos. “Não estava em casa, cheguei depois. Estava feio, uma escuridão, não tinha o que fazer. Todo mundo conhece o outro aqui. Foi difícil, porque perdemos uma amiga, seu filho e o bombeiro que estava tentando ajudar. Tem gente aqui desde ontem (segunda-feira) ajudando. É muito triste”, disse Fabiano Barbosa, vizinho das vítimas e voluntário.

O cenário no Morro do Macaco é de devastação. Barracos vieram abaixo, móveis e eletrodomésticos estão destruídos, além de muita lama e dificuldade para retirar os escombros na procura por sobreviventes. No alto do morro, os voluntários, enfileirados, ajudam na retirada da lama. Um balde passa de mão em mão até ser despejado em um área isolada. Os bombeiros realizam movimentos minuciosos na tentativa de evitar outros deslizamentos e são avisados pelo som de um apito quando algo de pior pode acontecer.

“Fiquei muito triste quando cheguei lá em cima, porque são pessoas que conheço há muito tempo. Moro aqui há 50 anos. Eu gostaria de ajudar, mas não posso porque sou operado da coluna. Fiquei muito feliz em ver as pessoas ajudando”, ressaltou Gilvan Nunes, morador do Morro do Macaco.

“Tudo tremia na casa”, lembra a dona de casa Bruna da Rocha, de 27 anos, que mora nas proximidades de um dos deslizamentos. “Começou todo mundo a gritar, chorando, pedindo ajuda para eles”, relata. “Moro aqui há 27 anos e nunca vi algo assim na minha vida. É a primeira vê que acontece uma coisa dessas.”

A controladora de acesso Letícia de Carvalho, de 40 anos, teve de deixar a casa com as duas filhas, de 9 e 15 anos. “Vamos para a casa de um amigo que ofereceu moradia. O prefeito não vem ver a situação, só vem para pedir voto.”

Ele mora a poucos metros dos locais de deslizamento. “Escutei gritos do pessoal pedindo socorro. A gente saiu batendo em tudo que é lugar, ligando para resgate, ambulância, polícia, Deus e o mundo.”

Com ajuda de amigos e das filhas, Letícia tirou grande parte dos pertences de casa. “Estamos tirando tudo, roupa, documentos, eletrodoméstico, infelizmente bens materiais que a gente conquistou com tanto suor.”

Fonte: Estadão

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